quarta-feira, 2 de março de 2005

Poema IV

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.

Detonaste o pacto.

Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade.

Sem prazo
Sem consulta
Sem provocação

até ao limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o acto sem continuação, o acto em si,
o acto que não ousamos nem sabemos ousar.

Porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivencia em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso,
voz modulando sílabas, mãos gesticulando palavras..


P.S. A ti Sofia (kituxinha)